Quem Somos?

Histórico

Nossa história começa em 1696, quando foi construída uma Capelinha, dedicada a Nossa Senhora das Necessidades, pertencente à Irmandade de Pretos. Esta foi a sede da Paróquia de São João Batista de Icaraí por doze anos e teve como primeiro Vigário o Padre Miguel Luiz Freire. 

Em 1839 a sede foi transferida para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição acarretando na decadência da Capelinha. Com o auxílio do Governo Provincial e esforços de particulares, em 1885, foram iniciadas as obras de recuperação. A partir daí, a Irmandade de Pretos se reorganizou sob a invocação de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. 

No dia 26 de junho de 1949, pelo Decreto Episcopal de Dom João da Matha Andrade e Amaral, a Capela de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Icaraí, tornou-se Paróquia e a primeira Missa Solene foi celebrada por Dom João da Matha Andrade e Amaral, Monsenhor João de Barros Uchoa, e pelo Pe. Sylvio de Azevedo Marinho, Provedor da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Icaraí.

Em 17 de setembro de 1950, Pe Geraldo Pelzers, Missionário do Sagrado Coração, foi nomeado Vigário da Paróquia e, a partir desta data, dezenas de Padres e Religiosos da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração realizaram e vem realizando seu trabalho de evangelização.

Em 17 de agosto de 1952, foi lançada solenemente a pedra fundamental do novo Templo e durante 14 anos homens e mulheres dedicados à causa do Reino de Deus, trabalharam intensamente para a sua construção. Em campanha nacional, Padres, Engenheiros, Arquitetos, Operários da construção civil e pessoas de Niterói e de diversos Estados do Brasil, em especial de Minas Gerais, apoiaram com recursos e outros donativos.

Em 28 de Março de 1955, um grupo de pessoas da comunidade iniciou os trabalhos do projeto de construção da cripta do novo Templo, e em 29 de maio de 1955, a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração medindo 1.80m, foi solenemente benta pelo Bispo Diocesano Dom Carlos Gouvêa Coelho (1907-1960).

Em 1º de novembro de 1958. Dom Carlos Gouvêa Coelho nomeou Nossa Senhora do Sagrado Coração como madroeira, e somente em 20 de março de 1966, foi celebrada a inauguração da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração por Dom Antonio de Almeida Moraes Junior, juntamente com o Padre Geraldo Pelzers e o Padre Guilherme, na presença de convidados e paroquianos.

O projeto arquitetônico foi de autoria do arquiteto holandês Wan Overdyck, e os cinco painéis que circundam o altar são: Jesus Cristo no Monte do Calvário; Oferta de Abel e Caim; A oferta de Melquisedec; A oferta de Abraão; Celebração da Primeira Missa na Terra de Santa Cruz. Todos de autoria do pintor italiano Antonio Maria Nardi.

Inauguração e benção do novo Templo (1966)

Breve Histórico dos Missionários do Sagrado Coração na Paróquia

Esse ano comemoramos os 60 anos de nossa Paróquia. Muito já foi feito até aqui, mas pensar a origem de tudo isso significa mergulharmos num verdadeiro túnel do tempo para chegarmos à França do século XIX. Em 1854, na pequena cidade de Issoudun, diocese de Bourges, nasceu a Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, fundada pelo jovem sacerdote Júlio Chevalier, que pregava levar aos mais sofridos, espiritual e materialmente, o Amor revelado no Coração de Jesus Cristo, através do lema “Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus”.

Talvez tenhamos ido um pouco longe. Podemos pensar, portanto, a origem como a chegada ao Brasil – mais exatamente em Pouso Alegre, Minas Gerais –, em maio de 1911, de dois Missionários do Sagrado Coração da Província Holandesa: Padres Geraldo e Teodoro. Muitos podem pensar que ainda não chegamos à efetiva origem da paróquia, que pode ser considerada, enfim, a chegada, em 1950, desses mesmos Missionários a Niterói, a convite do bispo da época. Eles escolheram o local onde se encontrava a igreja de Nossa Senhora do Rosário de São Benedito, atualmente localizada no Cubango e, a partir daí, começaram as obras.

“Amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus.”

Mais informações dos Missionários do Sagrado Coração: www.misacor-rj.org.br

 *Texto e Pesquisa História da Paróquia: Márcia Carelle                                      * Texto e Pesquisa Histórico MSC: Roberta Amazonas

Estrutura

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, por meio da Edições CNBB, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para o quadriênio 2019 – 2023. A publicação integra a série Documentos da CNBB sob o nº 109. Trata-se do principal documento que o episcopado brasileiro aprovou durante a sua 57ª Assembleia Geral, realizada em Aparecida (SP), de 1º a 10 de maio de 2019.

Para o quadriênio 2019-2023, as diretrizes foram estruturadas a partir da concepção da Igreja como “Comunidade Eclesial Missionária”, apresentada com a imagem da “casa”, “construção de Deus” (1Cor 3,9). Em tudo isso, as Diretrizes – aprovadas pelos bispos do Brasil – convidam todas as comunidades de fé a abraçarem e vivenciarem a missão como escola de santidade.

Na apresentação da publicação, a presidência da CNBB ressalta que as diretrizes são o caminho encontrado para responder aos desafios do Brasil, “um país que, na segunda década deste século XXI, experimenta grandes transformações em todos os sentidos”. A introdução da publicação defende que as diretrizes constituem uma das expressões mais significativas da colegialidade e da missionariedade da Igreja no Brasil.

O Documento nº 109, de 93 páginas, é organizado em quatro capítulos.

No primeiro, cujo título é o “Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo”, o texto aprofunda os desafios do contexto urbano e o papel das comunidades eclesiais missionárias neste contexto.

O segundo capítulo fala do “O olhar dos discípulos missionários” sobre os desafios presentes na cidade.

O terceiro capítulo, “A Igreja nas Casas”, apresenta a ideia de casa, entendida como “lar” para os seus habitantes, acentua as perspectivas pessoal, comunitária e social da evangelização, inserindo no espírito da Laudato Si’, a perspectiva ambiental. Essa casa é a comunidade eclesial missionária que, por sua vez, é sustentada por quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária ou Missão.

O quarto capítulo, cujo título é “A Igreja em Missão” apresenta encaminhamentos práticos de ação para cada um dos pilares.

PILAR PALAVRA

A iniciação à vida cristã se refere, principalmente, à adesão a Jesus Cristo, não se esgotando da preparação aos sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Fundamenta-se na centralidade do querigma, o primeiro anúncio. Este é um tempo de acompanhamento em vista da iluminação da vida a partir da fé cristã. Nossas comunidades precisam ser istagógicas, lugar por excelência da iniciação à vida cristã, preparadas para favorecer que o encontro com Jesus Cristo se faça e se refaça permanentemente. A Sagrada Escritura precisar estar sempre presente nos encontros, nas celebrações, e nas mais variadas reuniões e é um meio privilegiado de contato com a Palavra. A Sagrada Escritura é patrimônio comum de todas as Igrejas cristãs. É importante que ela se torne sempre fonte inspiradora de oração comum, de fraternidade e de conversão. Documentos da CNBB 109 (Pág.75, nº 145).

PILAR PÃO

A Eucaristia e a palavra são elementos essenciais e insubstituíveis para a vida cristã. Para que a comunidade de fé seja casa aberta para todos. A Liturgia é o coração da comunidade. Ela remete ao Mistério e, a partir deste, ao compromisso fraterno e missionário. Em conseqüência, “as comunidades eclesiais que se reúnem em torno da Palavra precisam valorizar o domingo, o Dia do Senhor, como o dia em que a família cristã se encontra com Cristo, e incentivar a criação da pastoral litúrgica; valorizar o ministério da celebração da Palavra de Deus; cuidar da qualidade da música litúrgica. Em tempos de individualismo extremo, em que o eu parece ser o centro de tudo, é preciso dar o salto para uma espiritualidade comunitária, na qual a oração pessoal e a comunitária sejam abertas ao coletivo. É necessário evitar a separação entre culto e misericórdia, liturgia e ética, celebração e serviço aos irmãos. Documentos da CNBB 109 (Pág.78, nº 160).

PILAR CARIDADE

Em atenção à Palavra de Jesus e ao ensinamento da Igreja, especialmente sua doutrina social, que iluminam os critérios éticos e morais, nossas comunidades devem ser defensoras da vida desde a fecundação até o seu fim natural. A vida humana- e tudo que dela decorre e com ela colabora, precisa ser objeto da nossa atenção e do nosso cuidado: do nascituro ao idoso, da casa comum ao emprego, saúde e educação. O cuidado para com os direitos humanos, as políticas públicas que sustentam a sua aplicação, hão de estar no horizonte da ação dos discípulos de Jesus, chamados a realizar as obras de misericórdia, tanto em âmbito pessoal, quanto comunitário e social. A Solidariedade pode ser vivenciada por todos, favorecendo o mútuo conhecimento e a valorização de tudo que nos une. Por isso, maior testemunho haverá se, na defesa da vida e no cuidado para que ela seja vivida com dignidade, os cristãos trabalharem juntos em projetos comuns. Documentos da CNBB 109 (Pág.82, nº 171).

PILAR MISSÃO

“Onde Jesus nos envia? Não há fronteiras, não há limites: envia a todos”. Deve ser meta das comunidades cristãs consolidar a mentalidade missionária. O cristão é convidado a comprometer-se missionariamente, como “tarefa diária”, em “levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto aos mais íntimos quanto aos desconhecidos”, de modo informal, “durante uma conversa”, “espontaneamente, em qualquer lugar”, “de modo respeitoso e amável”. O primeiro momento é o diálogo, que estimula a partilhar alegrias, esperanças e preocupações; o segundo é a apresentação da Palavra, “sempre recordando o anúncio fundamental: o amor de Deus que se fez homem. Por fim, é bom que esse encontro fraterno se conclua com uma breve Oração que se relacione com as preocupações que a pessoa manifestou”. Só podemos nos imaginar comunidade de fé, que segue os passos de Jesus Cristo e busca nele o seu modelo de vida, se vamos ao encontro do outro, no seu lugar concreto, anunciando o próprio Senhor com sua presença amorosa. Documentos da CNBB 109 (Pág.85, nº 186).

Nossos Pastores

PÁROCOFUNÇÃOPERÍODO
1. SYLVIO MARINHOVIGÁRIO E PROVEDOR1950
2. GERALDO PELZERS, MSCPÁROCO1950 – 1964
3. TEODORO PETRS, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1950 – 1951
4. EDUARDO VAN DE WALLEVIGÁRIO PAROQUIAL1951
5. CORNÉLIO  STROOBANDVIGÁRIO PAROQUIAL1952
6. ERICO BEVORTVIGÁRIO PAROQUIAL1952
7. GIJSBERTUS LEONARDUS JOHANNES MARIA DE ROIJ MSC (GILBERTO DE ROY)VIGÁRIO PAROQUIAL1955 – 1958, 2010 – 02/2011
8. JOÃO KRUYF, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1956 – 1957
9. ROBERTO BELDEROK, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1958 – 1959
10. GUILHERME BUYS, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1959, 1965 – 1968, 1972 – 1976, 1978 – 1982
11. TEODORO VAN DE VEN, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1959 – 1961, 1972
12. JULIO GROOTENVIGÁRIO PAROQUIAL1964 – 1966
13. ANTÔNIO MARIA VERMINVIGÁRIO PAROQUIAL1965 – 1966
14. ANTÔNIO REVERSPÁROCO / VIGÁRIO PAROQUIAL1968 – 1969, 1971 – 1982, 1991 – 1994
15. GERMANO VERNOOIJPÁROCO1968, 1994
16. SIMEÃO GOOSSENS, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1970
17. WILLIAM BAKKUMVIGÁRIO PAROQUIAL1970
18. TEODORO MULDER, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1970 – 1972
19. MARINO VAN DE VENVIGÁRIO PAROQUIAL1972
20. FRANCISCO VAN BAARS (XIKO), MSCPÁROCO / VIGÁRIO PAROQUIAL1986 – 1991 / 1972 – 1976, 1978 – 1982, 2008 – 2009
21. JOÃO SMITS, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1978 – 1985
22. JOÃO STROOMER, CSSRVIGÁRIO PAROQUIAL1979 – 1983
23. GUILHERME GOOSSENS, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL1984
24. IR. ANDERSON AUGUSTO DE SOUZA PEREIRA, MSCRELIGIOSO MSC1992 – 1997
25. PETRUS PIO LOCHS, MSCADM. PAROQUIAL1993 – 1995
26. IR. PAULO ROBERTO M. MENDONÇARELIGIOSO MSC1994
27. SEBASTIÃO MOREIRA CARVALHO FILHOVIGÁRIO PAROQUIAL1995
28. DANIEL ALVES DE CASTROVIGÁRIO PAROQUIAL1997
29. PAULO ROBERTO GOMESPÁROCO1999 – 2006
30. MARCIO ANDRÉ ROCHA DA CONCEIÇÃOVIGÁRIO PAROQUIAL1999
31.  LUÍS OTÁVIO GOMES GOUVEIAVIGÁRIO PAROQUIAL2002 – 2003
32. LUÍS MAURÍCIO TELLES DA SILVA, MSCPÁROCO18/02/2006 – 15/01/2011
33. ANTONIO FERNANDO MAGALHÃES RODRIGUES, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL15/01/2006 – 01/12/2006
34. DIÁCONO RAIMUNDO CÉSAR DE MENEZESMINISTÉRIO DIACONAL27/08/2008 – ATUAL
35. FRANCISCO DE ASSIS, MSCPÁROCO16/01/2011 – 20/12/2015
36. DIÁCONO OSMARILDO ABREU DE SOUZAMINISTÉRIO DIACONAL18/06/2013 – 20/12/2016
37. RONNIE ANDERSON DINIZ, MSCPÁROCO20/12/2015 – ATUAL
38. LUIZ OTÁVIO GOMES GOUVÊA, MSCVIGÁRIO PAROQUIAL01/07/2017 – ATUAL

Painéis do Altar

As pinturas em cores vivas e harmoniosas da parede de fundo do altar de nossa Paróquia chamam a atenção não só das pessoas que entram pela primeira vez em nossa Paróquia, mas também de todos os que aqui freqüentam há longos anos. Poucos, no entanto, sabem o significado bíblico dos cinco painéis que ali são retratados.

Essas belas obras de arte foram confiadas pelo Pe. Geraldo Pelzers, MSC, responsável pela construção do Santuário das Almas, ao pintor italiano Antonio Maria Nardi, que em sua arte, retratou em cinco painéis cenas que remetem a um aspecto significativo em nossa religião: o sacrifício como prova de um grande Amor.

Desde os tempos primitivos, o homem acatava um Deus supremo e relacionava a expressão de seus sentimentos religiosos a sacrifícios – atos de culto exterior, que sob o símbolo de uma oferta visível, pretendiam estabelecer uma união mais íntima entre o homem e Deus.

No painel do centro, Nardi retrata a morte de Jesus na cruz. Para os painéis laterais, escolheu no Antigo Testamento, três exemplos que prefiguram a grande prova de amor de Cristo: as ofertas de Caim e Abel, Melquisedec e Abraão. Para o quinto painel pintou a primeira celebração da Santa Missa na Terra de Santa Cruz, tendo como participantes nossos irmãos e irmãs indígenas, legítimos donos desta nossa terra.

Estas belas obras de arte que expressam passagens bíblicas extremamente significativas do amor de Deus pelas suas criaturas merecem toda nossa atenção e reflexão pelas mensagens que nos querem transmitir e sobre as quais devemos sempre refletir.

Painel do Centro do Altar

Jesus Cristo no Monte do Calvário Cordeiro Imolado “Páscoa da Cruz: Dia de exaltação do Cristo Senhor, de sua glorificação na Cruz.”

Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, criou a terrapara que o homem usufrua dela e possua vida plena com a única condição de observar o projeto de vida e liberdade, em que a vida aconteça em clima de fraternidade e partilha. O homem não consegue ser fiel ao projeto de Deus e em sua auto-suficiência produz escravidão e morte.

Deus, sempre amoroso, promete uma descendência comprometida com seu projeto. Para mostrar o caminho, envia Jesus Cristo, o Deus homem, que aceita a condição humana para demonstrar o comprometimento de Deus com a vida, garantida por sua bondade, pregação e conduta. A atividade de Jesus – de justiça, paz e vida plena e digna para todos -, contraria os poderosos de seu tempo, levando-o à morte – sacrifício que restaura a amizade entre Deus e a humanidade.

A morte na cruz não é o fim. Jesus continua vivo, presente e atuante na comunidade cristã e seu destino ilumina o nosso. Com a ressurreição, Deus se revela como “o Deus dos vivos” e como fez com Jesus, ressuscita todos os mortos.

Aos pés da cruz, vemos no painel, instrumentos do suplício: martelo, pregos e lança. Ainda, três mulheres e dois homens: a mãe de Jesus; a irmã da mãe dele, Maria de Cleófas e Maria Madalena; João, o único dos doze apóstolos e o centurião, chefe dos soldados que crucificaram Jesus, aquele que disse: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” (Mc 15,39 – Mt 27,54).  A mãe de Jesus, a nova Eva, representa o povo da Antiga Aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo Salvador. João representa o novo povo de Deus, formado pelos que aderiram a Jesus.

Na trave vertical da cruz, pode-se observar a inscrição INRI, iniciais de “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”, (Jo 19,19),  frase que Pilatos mandou escrever. Jesus é o rei que entrega sua vida por todos.

Na parte de cima do painel, alguns anjos com um grupo de figuras humanas, para nos lembrar o que Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre.” (Jo 11,25). Os falecidos de todos os tempos tem a felicidade de participar da vida celestial após a vida terrestre, conduzidos por anjos: ”Ao paraíso conduzam-te os anjos e te introduzam na cidade santa de Jerusalém”, nos lembra o texto das cerimônias litúrgicas da ressurreição que a  Igreja reza.

1º Painel à Esquerda

Oferta de Abel e CaimO rompimento da Fraternidade

O primeiro painel à esquerda de quem entra na Igreja representa a oferta de ABEL e CAIM. Mostra Abel em atitude de oração, oferecendo a Deus um cordeiro que está amarrado e colocado em cima de uma pedra. Mais para trás, o fogo, já aceso e no primeiro plano, uma faca bem grande para matar o animal. No outro lado do painel, uma porção de frutas, produtos da lavoura de Caim, que se mostra cheio de raiva, ao contrário de seu irmão Abel que olha para o alto com serenidade. Caim apoiado na árvore procura conter sua ira. A folhagem estilizada, em cores escuras, parece uma nuvem ameaçadora caindo sobre os dois, mas vindo do lado de Caim.

A Bíblia, em Gênesis (Gn 4,3-7) diz: “Depois de algum tempo, Caim apresentou produtos do solo como oferta a Javé. Abel, por sua vez, ofereceu os primogênitos e a gordura do seu rebanho. Javé gostou de Abel e de sua oferta, e não gostou de Caim e da oferta dele. Caim ficou então muito enfurecido e andava de cabeça baixa. E Javé disse a Caim: Por que você está enfurecido e anda de cabeça baixa? Se você agisse bem andaria com a cabeça erguida; mas, se você não age bem, o pecado está junto à porta, como fera acuada, espreitando você. Por acaso, será que você pode dominá-la?

Por que Deus não aceitou o sacrifício de Caim?

A oferta, que tem por finalidade adorar a Deus, agradecer, pedir perdão ou pedir graças, não pode ser somente um ato exterior, sem sentido, mas a manifestação de uma atitude interior.

A História nos lembra que Caim matou Abel. O relacionamento entre esses irmãos é o oposto do que Deus espera entre os homens – a fraternidade, em que cada um é protetor de seu próximo. A auto-suficiência introduz a rivalidade e a competição nesse relacionamento: a fraternidade é destruída e, em vez de proteger, gera a violência: o homem fere e mata o seu próximo. A primeira vez que a palavra pecado aparece na Bíblia é num contexto social. (v.7)

Caim simboliza todo o homem que, livre e conscientemente, mata seu semelhante, demonstrando afastamento do Deus de amor, do Deus da Vida.

2º Painel à Esquerda

A Oferta de Melquisedec:  Rei da Justiça e da Paz

O segundo painel da esquerda para a direita representa a oferta do rei Melquisedec.

A Bíblia diz em Gênesis  (Gn 14,17-20):  “Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os seus aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Javé, que é o vale do rei Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Levou pão e vinho, e abençoou Abrão, dizendo: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos a você. E Abrão lhe deu a décima parte de tudo.

Melquisedec aparece na Bíblia sem genealogia, sem descendência, ninguém sabe de onde ele é rei e sacerdote. A Carta aos Hebreus (Hb 7,1-3) assim se expressa: “Melquisedec era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Ele foi ao encontro de Abraão, quando este voltava vitorioso da batalha contra os reis. Ele abençoou Abraã, e Abraão lhe deu a décima parte de tudo. Traduzido, o nome Melquisedec significa “rei de justiça”; além disso, ele é rei de Salém, isto é, “rei da paz”. Sem pai, nem mãe, sem genealogia, sem começo nem fim de vida como o Filho de Deus, Melquisedec permanece sacerdote para sempre”.

Ele parece ser eterno, assim como Jesus Cristo. Seu sacerdócio não está ligado à classe sacerdotal dos descendentes de Levi, nem à descendência de Abrãao. Por isso, seu sacerdócio é muito mais amplo. É universal. Ele é rei de justiça e paz. Isaías (Is 32) usa a mesma descrição: “Ele será um rei de justiça e paz” para profetizar sobre Cristo.

Para o sacrifício, Melquisedec usa pão e vinho, o que não era comum para a época. Cristo instituiu a Última Ceia usando pão e vinho.

No painel, a figura de Melquisedec aparece como um sacerdote velho, mas cheio de força e vida. Apesar da oferta ser para celebrar uma vitória na guerra, o quadro só apresenta serenidade e paz.

Ao redor de Melquisedec, vários levitas, ajudantes do sacrifício. Quando relacionamos Melquisedec com Cristo, relacionamos os levitas aos apóstolos, não só os do evangelho, mas os de todos os tempos – os sacerdotes que, em nome de Cristo, oferecem o sacrifício do pão e do vinho.

Atrás dos levitas, levanta-se a selva, estilizada, como se fossem as construções de nossas cidades, onde os sacerdotes, além de oferecerem o sacrifício do pão e do vinho, devem ser profetas de justiça e paz.

A frente do quadro, a partir do altar de Melquisedec, parece simbolizar uma abertura para nosso mundo.

Além de uma mensagem de paz, o painel pretende anunciar a eternidade do sacerdócio em Cristo.

Na ordenação do sacerdote, a Igreja diz: “Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec”. O sacerdote é a continuação de Cristo entre nós para oferecer o sacrifício a Deus para todo o povo.

1º Painel à Direita

A Oferta de Abraão:  A grande prova  de  Fé, Obediência e Confiança

O primeiro painel à direita de quem entra na Igreja representa a oferta de Abraão. A Bíblia nos diz em Genêsis (Gn 22,1-14):“…Deus pôs Abraão à prova, e lhe disse: ‘Abraão, Abraão!’ Ele respondeu: ‘Estou aqui!’. Deus disse: ‘Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o aí em holocausto, sobre uma montanha que eu vou lhe mostra’.  Abraão se levantou cedo, preparou o jumento, e levou consigo dois servos e seu filho Isaac. Rachou a lenha do holocausto, e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. No terceiro dia, Abraão levantou os olhos e viu de longe o lugar. Então disse aos servos: ‘Fiquem aqui com o jumento; eu e o menino vamos até lá, adoraremos a Deus e depois voltaremos até vocês’.  Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou nas costas do seu filho Isaac, tendo ele próprio tomado nas mãos o fogo e a faca. E foram os dois juntos. Isaac falou a seu pai: ‘Pai’.  Abraão respondeu: ‘Sim, meu filho!’  Isaac continuou:  ‘Aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde está o cordeiro para o holocausto?’ Abraão respondeu: ‘Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho!’  E continuaram caminhando juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe indicara, Abraão construiu o altar,  colocou a lenha, depois amarrou seu filho e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.Abraão estendeu a mão e pegou a faca para imolar seu filho. Nesse momento, o anjo de Javé o chamou lá do céu e disse: ‘Abraão, Abraão!’ Ele respondeu:  ‘Aqui estou!’  O anjo continuou: ‘Não estenda a mão contra o menino! Não lhe faça nenhum mal!  Agora sei que você teme a Deus, pois não me recusou seu filho único’.  Abraão ergueu  os olhos e viu um cordeiro preso pelos chifres num arbusto; pegou o cordeiro e o ofereceu em holocausto no lugar do seu filho. E Abraão deu a este lugar o nome de ‘Javé providenciará’.  Assim, até hoje se costuma dizer: ‘Sobre a montanha, Javé providenciará’”.

Nardi, o pintor dos painéis,  praticou uma liberdade artística na colocação do jumento, do lado direito, quando, na história, ele tinha ficado embaixo com os servos.

Deus pede a Abraão um ato de fé, que confirme sua obediência – sacrificar seu único filho, seu herdeiro e pai de uma descendência numerosa conforme Deus lhe tinha prometido. Ele obedece. O pintor retrata no rosto de Abraão sua luta interior.

A teologia sempre viu na pessoa de Isaac uma prefiguração de Jesus Cristo. Isaac era único filho de Abraão, portador da promessa, por parte de Deus, de ter grande descendência; o sacrifício era em cima de um monte e ele carregou a lenha para o sacrifício. Jesus Cristo é o Filho de Deus, que realizou a promessa de ter um grande povo – o povo de Deus; o sacrifício de Cristo ocorreu em um monte, o Calvário, e ele mesmo carregou o lenho da cruz.

A fé de Abraão, que arriscou seu próprio filho para seguir o que era para ele a vontade de Deus, talvez nos ajude a estar sempre alerta aos sinais que Deus nos envia, para aprofundar o nosso relacionamento com Ele e no atendimento ao seu projeto de vida.

2º Painel à Direita

Celebração da Primeira Missa na Terra de Santa Cruz

A frota sob a liderança de Pedro Álvares Cabral avistou terra em 21 de abril de 1500; no dia 23 de abril, Nicolau Coelho, foi o primeiro a pisar em terra brasileira; no dia 26 do mesmo mês, o Frei Henrique de Coimbra, guardião dos frades que viajavam com Cabral, rezou a primeira missa na terra descoberta. No dia 1º de maio de 1500, celebrou uma segunda missa, como cerimônia de posse, em frente a uma grande cruz que Cabral implantou como marco de conquista e soberania portuguesa, o que leva a crer que o mural representa mais a segunda missa.

O autor simbolizou neste painel a dedicação do Brasil a Cristo, que recebeu como seu primeiro nome Terra de Santa Cruz.

A escolha do tema deste painel, junto aos temas bíblicos dos outros, foi sugestão do Pe. Geraldo Pelzers,  segundo o artista Antonio Maria Nardi, que acreditava no fato dos brasileiros gostarem de lembrar e solenizar fatos de sua história e da importância de retratar a Santa Missa e a presença do povo indígena, representantes legítimos desta terra de Santa Cruz que deve renovar em cada um de nós o compromisso social e solidário com os nossos irmãos e irmãs indígenas.

*Autora:

Inês Margarida Willkomm

*Colaboradoras: 

Erika Willkomm, Tânia Maria Ayd, Michelle Sena e Carla Guedes.

A Padroeira

Em 1859, o Pe. Júlio Chevalier, fundador dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, o título Nossa Senhora do Sagrado Coração. A imagem representativa consiste em Maria sustentando o Menino Jesus no braço esquerdo, e com a mão direita segura-lhe o coração. Jesus indica-lhe sua Mãe para dizer que ela é tesoureira de seu Sagrado Coração, e que, para obtermos as graças que ele encerra é necessário dirigimos-nos a Maria.

Como Surgiu o título de Nossa Senhora do Sagrado Coração

Em 1854, dois jovens sacerdotes, os Padres Júlio Chevalier e Mangenest, coadjutores da paróquia de Issondun, na diocese de Bourges (França), pensavam em fundar uma obra missionária para propagar no Berry, infestado pelo materialismo e indiferentismo, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que consideravam o meio mais eficaz para salvar aquelas almas esquecidas de seus destinos eternos. Precisavam, porém, de recursos, e esses lhes faltavam completamente, por isso se dirigem a Maria Santíssima, certos de que ela não deixaria faltar os meios necessários à obra planejada, se esta fosse do seu agrado. Começaram, então, uma novena que ia terminar no dia 8 de dezembro de 1854, dia memorável em que o Papa Pio IX devia proclamar o dogma da Imaculada Conceição, esperando que Nossa Senhora, em troca da glória com que o mundo católico ia coroá-la, concedesse à terra favores especiais. E estavam convencidos os dois sacerdotes de que, se fossem atendidos, o favorável despacho de suas súplicas seria uma prova de que Deus concordara com seus planos. Não foi vã sua confiança: no último dia da novena, isto é, no próprio dia da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, eis que se lhe apresenta um homem, entregando-lhes, em nome de um benfeitor que desejava conservar o anonimato, uma quantia importante destinada à fundação de uma obra missionária. Era a resposta a suas súplicas!

Eles tinham prometido tomar o nome de Missionários do Sagrado Coração de Jesus, e honrar Nossa Senhora de um modo todo especial, e, tendo sido tão bondosamente atendidos, trataram de pôr mãos à obra. Procuraram, então, e acharam uma casa modesta na qual se alojaram alguns meses depois, e desde então se intitulam oficialmente Missionários do Sagrado Coração de Jesus. Faltava-lhes cumprir a segunda parte da promessa, e o Pe. Chevalier, chefe da pequena comunidade, dela não se esquecia. Desde 1855, tendo recebido a ideia do título Nossa Senhora do Sagrado Coração, pensava nesse título frequentemente, sem falar dele a ninguém: a ideia devia amadurecer no estudo, na meditação e em fervorosas orações. Quando julgou chegado o tempo de honrar a Santíssima Virgem com um novo título, logo depois de aprovado pela igreja, abriu o coração a seus colegas, no ano de 1859.

Um dia, estando os missionários no recreio, depois do jantar, de repente o Pe.   Júlio Chevalier, após ter estado em silêncio durante algum tempo, pergunta-lhes: “Sob que invocação colocaremos o altar da Virgem em nosso novo santuário? ” Referia-se à atual basílica de Issondun, a qual devia substituir a antiga capelinha, que ameaçava cair. Cada um propôs um título, conforme o que lhes ocorria pelo pensamento. “Não, não”, disse sorrindo o Pe. Chevalier. “Em nossa futura igreja, o altar de Maria será dedicado a Nossa Senhora do Sagrado Coração”. “Nossa Senhora do Sagrado Coração?!” dizem alguns, “mas isso é uma inovação, e em matéria de devoção não convém inovar.” “Inovação?” Disse o Pe. Chevalier, “que seja, mas nem tanto como julgais”. E, visivelmente comovido, explicou a seus colegas o motivo por que tinha escolhido esse título, relembrando depois as importantes graças que a nascente comunidade recebera da Santíssima Virgem, e terminando com estas palavras: “Estou convencido de que nossa boa Mãe quer ser invocada e honrada sob este novo título, em nosso futuro santuário. Dedicar-lhe-emos, portanto, um altar sob esta invocação. Deste modo, por ela e com ela glorificaremos o Sagrado Coração de Jesus, e propagaremos seu culto e seu amor. Iremos ao Sagrado Coração de Jesus por Maria, sua Mãe. Ad Jesum per Mariam”.